Eu sou aquela que tem a força tatuada no peito!


Eu sei que isso não é nenhuma reunião de reabilitação que eu deveria me apresentar e dizer há quantos dias eu estou "limpa", mas acho importante que saibam, que um dia eu estive suja. Estive na lama. E que essa força toda que hoje habita em mim, nem sempre esteve aqui.

Eu era uma garota normal, de uma cidade normal, numa escola normal. Não era popular, tampouco bonita como as populares. Era a garota que ia para a biblioteca ler e sonhar com o meu grande amor ou com uma grande carreira. Tudo estava bem até um grupo de alunos novos entrarem na escola. Eram três irmãos e uma irmã. Eram lindos, populares e atletas. Além de serem novos e a curiosidade de todos. O mais velho andava com seu skate embaixo do braço para lá e para cá. A irmã, um pouco mais nova era do tipo que esnobava as populares, o que a fazia mais popular ainda. O do meio era quieto, fechado poderia muito bem andar em qualquer grupo, rir de suas piadas e saber de todas as fofocas sem ser descoberto. O mais novo ainda estava no fundamental, portanto, era um garotinho bonito e engraçado. 

Estavam consecutivamente no terceiro, segundo e primeiro ano do ensino médio. O menor estava entre o quarto e quinto ano do fundamental. Nessa época eu era do oitavo ano, que é quando você não se encaixa no fundamental e nem no médio. É uma fase difícil por sí só. Mas, quando acontece com você o que aconteceu comigo. Tudo fica absolutamente insuportável.

Foi no dia 11 de maio, eu estava na biblioteca da escola escolhendo livros para ler no final de semana, quando sem querer esbarrei em alguém. Sem ver bem, comecei pedindo desculpas. Quando levantei a cabeça pude ver que era, o garoto novo, o do primeiro ano, aquele que eu não sabia o nome. Ele me encarava sério. Estava com medo de receber um xingão, quando ele abriu um sorriso tímido e me entregou os livros. 

"Meu nome é Matheus, prazer." e eu fiquei piscando e pensando no que eu deveria dizer, então consegui pronunciar "Sabrina". Não sei ao certo se ficamos meia hora ou meio minuto nos olhando. Ele tinha lindos olhos castanhos, meio avermelhados como argila e eu não conseguia parar de olhá-lo. Não lembro bem o que houve depois, só que saímos dali e ficamos conversando sobre literatura e de como eu detestava os clássicos brasileiros. 

Semana após semana nos encontrávamos na biblioteca ou no intervalo, todos percebiam que estávamos gostando um do outro, menos eu. Eu não entendia muito bem de romances, só os lia. Matheus era sempre gentil e atencioso, sorridente, mas contido. Discreto, eu diria. Quando me dei conta do que poderia estar acontecendo entre a gente eu pirei. E ele percebeu a mudança. Fiquei mais insegura com seus toques na minha mão ou no braço. Não conseguia encará-lo. Como saber se ele sentia o mesmo que eu? Eu estava apaixonada! 

No dia dos namorados, todas as meninas que tinham um estavam carregando seus presentes. Alguns mais exagerados que os outros. As populares carregavam uma sacola com pequenos presentes que haviam ganhado. Esbarrei, por casualidade numa criança que dava doces para meninas. Ela me deu um, fiquei tão contente com aquilo. Eu só não esperava pelo que estava por vir. 

Entrei na biblioteca e fui para a minha prateleira favorita, a dos romances estrangeiros. Estava escolhendo se era melhor reler Sense and Sensibility ou O Morro dos Ventos Uivantes. Foi nesse instante em que eu estava imersa nos meus devaneios, que ele cobriu meus olhos e perguntou baixinho se eu sabia quem era. "Matheus?" sussurrei trêmula. Então ele tirou as mãos dos meus olhos e eu me virei. Ele segurava um box dos livros da Austen, não sabia se o ar tinha ido embora por causa do box, dele estar me dando o presente ou só pelo fato de ele estar ali. 

"O que é isso?" perguntei, tola e insegura. "Seu presente" ele disse sério, tentando não rir. "Mas, eu não estou de aniversário!", ele soltou um suspiro desapontado. "Seu presente de dia dos namorados. Eu sei que não somos, mas eu poderia arriscar só se tivesse um bom motivo no caso de você não aceitar o presente por não sermos namorados." Eu não conseguia mais respirar nesse momento. "Então Sabrina, quer ser minha namorada?" a casa caiu, pensei, o que vou dizer para ele? "Eu... eu... eu... sim!". Acho que nunca vi alguém tão feliz quanto Matheus nesse momento. Ele me pegou pela cintura e me abraçou tão apertado que meus pés ficaram no ar quando ele me levantou. Nós nos olhamos muito de perto, suas mãos na minha cintura me erguendo, as minhas em seu pescoço macio. Nós nos beijamos lenta e desajeitadamente, mas foi o melhor (e primeiro) beijo da minha vida

Você que está ouvindo a minha história, até aqui não consegue imaginar o que pode ter acontecido nesse relacionamento de contos de fada, que toda a garota quer, não é mesmo? Bem, estamos chegando lá. 

Três meses se passaram, nossos pais já sabiam do relacionamento. Eu com 14 e ele com 15 anos. Éramos sonhadores e inocentes. Minhas colegas, que até então não falavam muito comigo começaram a se interessar por nós, até que chegaram no assunto sexo. Perguntaram como eu conseguia namorar sem "ter feito" e aqueles blá blá blás todos. Eu sempre dizia que não tinha acontecido e eu não tinha pressa. Comentei com o Matheus sobre o fato e ele me disse que seus irmãos mais velhos haviam o dito a mesma coisa "como não aconteceu?"

Ficamos meio desconcertados com a conversa, tentamos mudar de assunto, mas parecia que os dois estavam se indagando "por que não aconteceu?". Fomos para a casa dele depois da aula, colocamos um desenho animado japonês para assistir no seu quarto. A tarde passava lenta comigo em seus braços assistindo o "anime". Até que o desenho acabou e ficamos naquele silêncio que propicia qualquer sacanagem. Começamos a nos beijar intensamente. Suas mãos trêmulas subiam pela minha perna até a atura dos seios. Ele pôs a mão embaixo da minha blusa. Estava gelada. Foi quando eu pedi para ele parar, e gentilmente ele tirou a mão e me deu um beijo na testa. Ele estava excitado e disse que iria ao banheiro lavar o rosto. Esperei tensa no quarto. Foi nesse instante de pensamentos furtivos que tudo aconteceu. 

Seus irmãos chegaram fedendo a álcool em casa, o encontraram indo ao banheiro com a ereção visível, ele tentou esconder se trancando no banheiro, mas a porta do quarto estava aberta. Os dois pararam na porta, me olharam, se olharam e perguntaram com os olhos vermelhos e a língua enrolada. "Vocês transaram?", incomodada eu disse que não, Jordan, o mais velho perguntou por que. Eu disse que não queria. Eles riram e começaram a entrar no quarto. Pararam perto da cama e ele disse "Ele não é sexy, não é? Mas e eu? Eu sou?" ele disse isso levantando a camiseta e mostrando um abdome definido. Alice, a irmã, riu e disse "oh, você é muito sexy, aposto que ela não te rejeitaria". Eu nem consegui dizer alguma coisa, quando Matheus estava entrando no quarto, parou e viu tudo que estava acontecendo. Ele pediu para todos saírem e me deixarem em paz, mas os dois se recusaram, fechando a porta e a trancando pelo lado de dentro. Matheus gritava e esmurrava a porta. 

Jordan era maior e bem mais pesado que eu. Ele me segurou pelos pulsos quando eu tentei empurrar ele e me levantar, Alice também me segurou. Eles forçaram minha mão em seu pênis para "senti-lo duro". Foi quando eu percebi que estava em perigo com aqueles dois idiotas bêbados e chapados. Eles se irritaram com a minha cara de nojo, acho que eu poderia arrancar tudo ali e dar para os cães. Foi quando Alice me segurou, jogando o peso do seu corpo sob o meu, Jordan começou a tirar as calças, eu ainda podia ouvir Matheus batendo na porta. Eu vi o membro ereto do irmão do meu namorado enquanto ele começava a desabotoar meu jeans. 

Alice sussurrava coisas como "você vai gostar" e "relaxa, eu sei que é bom, já provei" e ainda "é bom perder com quem sabe o que faz". Eu gritei, pedi por ajuda para o Matheus e seus irmãos só diziam "Vamos dar a ela o que você não deu". Os murros na porta eram mais fortes. Parei de gritar por um instante, quando senti a pele de Jordan na minha, forçando a entrada. Ele segurava as minhas pernas e ria. Eu mal conseguia me mexer. Busquei no fundo da minha mente imagens de alegria, amor e prazer. Dos livros e do Matheus. Me calei. Recebi cada estocada calada. Os beijos, mãos e carícias nojentas não alcançavam meu ser que estava amortecido e escondido no fundo do meu ser. 

Quando Jordan acabou eu fiquei imóvel na cama. Olhando para o teto. Alice estava com o celular na mão. Havia filmado e fotografado. A porta se abriu e Matheus entrou com os olhos inchados e as mãos vermelhas. Ele chegou perto de mim, mas não deixei ele me tocar. Levantei e me vesti. Ouvia ele perguntar como eu estava e me abraçando enquanto chorava por ser incapaz de me defender. 

Eu o olhei e disse "Eu estou destruída, não sou mais a menina que você namorava, me tira daqui, é tudo que eu peço". Ele pegou minhas coisas e as suas e me levou pra casa. No mesmo dia contei para minha mãe, ela ficou horrorizada. Fizemos um B.O na delegacia. Passei pela mais humilhante situação da minha vida após o ocorrido. Os exames e afins não são nem um pouco acolhedores. Minha mãe me abraçava e segurava o choro. Matheus ficou a semana toda me ligando, seus irmãos, por serem menores receberam indiciações, mas não foram presos, os pais tiveram que pagar uma multa exorbitante. E eu, bem, eu caí na rede. Por alguns dias, mas foi o suficiente para não querer mais sair de casa. 

Terminei o ensino médio a distância. Li meus livros, comecei a cantar, fiz aulas também. Aos 19 anos passei para Serviço Social na Federal. Depois de anos com acompanhamento psicológico, reclusão e muito estudo de mim e do mundo resolvi tatuar uma frase um tanto sem sentido para as pessoas, mas com muito sentido para mim, Austen escreveu em sua obra Persuasão. "Sou metade agonia, metade esperança" envolta num mar de flores, gravadas no meu peito. Jurei nesse dia jamais deixar quem precisar de mim sozinha. Mulheres são fortes, mas como todo ser humano, são frágeis. 

Carregarei minha dor pelo resto da vida. Isso é inevitável. Carregarei também meu primeiro amor comigo. As vezes nos falamos. Ele faz Direito agora. Que coincidência não? Trabalharemos juntos de certa forma, como sempre trabalhamos, cada um com sua dor e suas metas. Mas, sou eu, eu Sabrina, a doce menina dos romances estrangeiros, que tem a força gravada no peito. 



Esse texto faz parte do desafio Imagem e Palavra do Interative-se!

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Resenha: A garota que eu quero - Markus Zusak



Eu comecei a ler esse livro nas férias e achei que não ia me acrescentar nada. Li o primeiro capítulo quase morrendo de tédio! Era o garoto, o protagonista falando e pensando sobre mulheres e corpos, e sobre como amaria uma mulher! Até aí eu estava pensando, "que bosta é essa gente?”, foi quando o livro tomou seu rumo e eu fiquei “uau, que livro!!”.

Informações:

(Skoob)
Ano: 2013
Páginas: 174
Editora: Intrínseca
Avaliação: ★★★★
Sinopse Skoob: O Rube nunca amou nenhuma delas. Nunca se importou com elas. Nem é preciso dizer que Rube e eu não somos muito parecidos em matéria de mulher. Cameron Wolfe é o caçula de três irmãos, e o mais quieto da família. Não é nada parecido com Steve, o irmão mais velho e astro do futebol, nem com Rube, o do meio, cheio de charme e coragem e que a cada semana está com uma garota nova. Cameron daria tudo para se aproximar de uma garota daquelas, para amá-la e tratá-la bem, e gosta especialmente da mais recente namorada de Rube, Octavia, com suas ideias brilhantes e olhos verde-mar. Cameron e Rube sempre foram leais um com o outro, mas isso é colocado à prova quando Cam se apaixona por Octavia. Mas por que alguém como ela se interessaria por um perdedor como ele? Octavia, porém, sabe que Cameron é mais interessante do que pensa. Talvez ele tenha algo a dizer, e talvez suas palavras mudem tudo: as vitórias, os amores, as derrotas, a família Wolfe e até ele mesmo.
Resenha:

O livro conta a história de Cameron, o filho mais novo de quatro irmãos. O mais velho era o durão bem sucedido, jogador de futebol americano, tinha a irmã que é pouco explorada na história, o irmão uns anos mais velho, gato, bad boy que larga as namoradas quando se cansa delas é Cameron, que não era nem um romântico nem um bad boy.

Só que tudo muda quando Octavia aparece e o trata como gente, com carinho e atenção. Ela não é só uma namoradinha banal do seu irmão, ela é a garota que ele quer! Logo que Rube, o irmão e namorado de Octavia a larga, ele passa a encontrar a menina com mais frequência, eles se conhecem melhor e tudo vai fluindo sutilmente. Ela é uma menina profunda e travada em alguns momentos e Cameron parece muito despreparado para a vida. Achei muito bonito como eles vão descobrindo o amor e tudo o mais, como os segredos vão se mostrando e sendo desvendados e as coisas vão fluindo sutilmente, como acredito que as coisas devam ser.

A cada capítulo Cam vai fazendo poemas acerca das coisas que viveu, sonhos e pressentimentos relacionados ao sobrenome deles: Wolfe.

Descobri recentemente, procurando na internet que esse livro faz parte de uma trilogia: O azarão, bom de briga e a garota que eu quero.



Recomendo fortemente esse livro é a sua trilogia, é um livro contado por um adolescente que se sente um pouco excluído e eu já me senti assim, acho que todos aqui também já se sentiram um dia e tudo mais. E é muito bom se envolver nas encrencas que ele é o irmão se envolvem por causa de uma garota. Vemos laços se estreitando ao longo do livro.

Foi uma leitura muito gostosa e leve. Vou procurar os outros livros e lê-los!!!

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Resenha: Fragmentado


Já faz um tempo que assisti Fragmentado e me apaixonei. Fiquei fascinada pela trama, embora acredite fortemente que mereça continuações! Durante o filme eu fiquei tensa, mas não cheguei a sentir medo, acho que fui fria e analisei cada personagem e situação. Antes do final eu já sabia mais ou menos como acabaria. 

Informações:

2016 ‧ Thriller/Terror ‧ 1h 57m
Kevin possui 23 personalidades distintas e consegue alterná-las quimicamente em seu organismo apenas com a força do pensamento. Um dia, ele sequestra três adolescentes que encontra em um estacionamento. Vivendo em cativeiro, elas passam a conhecer as diferentes facetas de Kevin e precisam encontrar algum meio de escapar.
Data de lançamento: 17 de março de 2017 (Brasil)
Direção: M. Night Shyamalan
Elenco: James McAvoy, Anya Taylor‑Joy e Betty Buckley
Resenha: 

Eu perdi os primeiros minutos do filme, então, pra mim tudo começa quando três garotas e o pai de uma delas estão saindo de algum lugar, com compras e comida, elas já estão no carro e o pai está guardando tudo no porta malas. Um estranho chega por trás e depois mostra-o entrando no carro. As duas garotas que estavam no banco de trás são as primeiras a serem postas para dormir por "fazerem alarde", Casey que está no banco do carona é a que fica em silêncio e tenta sair sorrateiramente do carro. Não conseguindo, as três são levadas para um lugar misterioso das quais nenhuma consegue sair.


O cara que as sequestra tem TOC e gosta de ver garotas nuas dançando. Ele seleciona uma das meninas e quando uma tenta lutar para proteger a amiga, Casey diz "faça xixi". Logo depois a amiga volta, ele sentiu nojo dela e a devolveu. 

Em todos os momentos Casey pensa calculadamente sobre os movimentos, estudando cada situação, enquanto as outras meninas só pensam em fugir, bater e sair dali. Só que o sujeito era mais forte que as três juntas. Tudo isso se passa enquanto o indivíduo, Kevin, vai a psicóloga/terapeuta Dra. Karen Fletcher

A Dra. narra os fatos do transtorno de Kevin e suas 23 personalidades. Barry é o que aparentemente fica "a luz" ou seja, ativo e no comando de Kevin. Barry é um estilista em crise existencial. Logo após o sequestro diversos emails de consultas extras vão chegando para a Dra. que começa a desconfiar que algo esteja acontecendo, no caso, o brutamontes com TOC (Dennis) é quem está fingindo se passar por Barry para abafar os emails enviados pelas outras personalidades que veem algo errado e tentam avisar.

Casey e o pai

Aparecem também, Hedwig, um menino de 9 anos e Patricia, uma fanática religiosa que juntamente com Dennis querem trazer "a fera" de volta a luz. A fera seria a 24° personalidade de Kevin, grande, com garras e feroz, que sobe em paredes e se alimenta de carne humana. Eles sequestraram as meninas por elas serem impuras, impuras no sentido de nunca terem sofrido, pois pareciam jovens felizes que os pais dão tudo. Já uma pessoa pura seria aquela que já experienciou a dor.

O filme, além de uma ótima fotografia (eu estudei um pouco sobre isso, e pelo que puder perceber e dos comentários de amigos da área, é realmente muito bom), tem um enredo sobrenatural e psicológico. Retratando abusos, traumas e transtornos de identidade. No caso, Casey fora estuprada pelo tio desde pequena, o filme da a entender que atualmente ainda é, seu pai morreu e ela ficou sob a guarda do tio. Ela relata que sempre faz alguma coisa para ficar mais tempo na escola, para fugir do abuso. Em diversos momentos mostram flashes de memória da infância dela caçando com o pai e o tio. O primeiro abuso e as chantagens. 


Em vários momentos elas tentam fugir, Casey é a única que não. Que tenta manter a calma e fazer tudo que mandam. Até que conhece Hedwig e tenta seduzir ele para que ele e ajude a sair de lá. Mas o menino é ruim, ele quer que os outros acreditem nele e só mete ela em fria. 

No final, quando a Dra. Karen Fletcher percebe que deve intervir e que a fera realmente pode existir, ela vai atrás de Kevin e encontra as meninas, ela é a primeira a ser morta pela fera, mas antes disso deixa o nome de Kevin num papel escrito "chame-o pelo nome: Kevin "Wendell" Crumb". Casey assiste todos vídeos diários das demais personalidades e fica chocada. Consegue fugir mas já é tarde, ela precisa correr da fera. 


Essa parte é desesperante, a perseguição, a tensão no ar. Mas, ela só não é morta no final porque a fera vê sua barriga e braços cheios de marcas de arranhões e tentativas de suicídio. Então ele diz que ela é "pura" e fica "feliz", indo embora. 

Pelo que pude perceber e achei na rede, haverá uma sequência de fragmentado, que seria uma sequencia de corpo fechado

Trailer:


Para quem não viu ainda, achei bem fácil para download e ainda está em cartaz (eu acho), mas já digo. Vá preparado. Não é um filme para pessoas sensíveis ou despreparadas. É um filme forte, com muitas chamadas psicológicas e que abordam temas polêmicos como abuso, estupro, agressão infantil e transtornos mentais, sem contar com a pegada sobrenatural que é marca do diretor Shyamalan.

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Razão e Sensibilidade - Série BBC Download


Há algum tempo venho querendo ler mais de Austen, mas não tenho tido ânimo! Portanto, sai a progurar filmes! Só que não achei nenhum que fosse rescente de Razão e Sensibilidade! Foi quando esbarrei com a série da BBC! Maravilhosa!

Só que aconteceu algo. Meu pendrive estragou e eu perdi sem olhar, fui a procura novamente e levei alguns dia para achar lugares seguros para download. Por isso, vim dividir com vocês esses arquivos. 

Informações

Sense and Sensibility é uma série britânica feita para televisão em 2008, adaptada pela BBC, do romance homônimo de Jane Austen. O roteiro foi escrito por Andrew Davies e ficou sob a direção de John Alexander. A série estreou na BBC One em três partes, nos dias 1º, 6 e 13 de janeiro de 2008. Nos Estados Unidos estreou em duas partes, em 30 de março e 6 de abril de 2008. Na Alemanha e França estreou em 6 de março de 2009.


Sense and Sensibility relata a história de duas irmãs, Elinor (Hattie Morahan) e Marianne (Charity Wakefield), em suas descobertas afetivas. A morte do pai muda a vida privilegiada que a família tinha, e a força a deixar a propriedade onde sempre viveram, para morar em uma modesta casa, pois a antiga propriedade é herdada, de acordo com as leis da época, pelo meio-irmão, único herdeiro masculino. Apesar de as chances matrimoniais terem sido alteradas pela diminuição ods recursos financeiros, alguns homens atraentes atravessam suas vidas.


Elinor sente-se atraída por Edward Ferrars (Dan Stevens) – mas ele guarda um segredo, um compromisso prévio que não o permite ter um compromisso. Enquanto isso, Marianne é objeto da atração do herói de Guerra Coronel Brandon (David Morrisey), mas ama realmente o charmoso Willoughby (Dominic Cooper).

Ao longo do relato, as irmãs se deparam com as diferentes nuances de sua personalidade, Elinor é mais racional e sensata, enquanto Marianne é emotiva e passional; ambas encontram, através do equilíbrio entre a emoção e a razão, o caminho para o casamento feliz.

Opinião:

Como não li o livro não posso opinar acerca da fidelidade dos fatos, mas em quesito imagem e contexto, acredito que foi muito fiel. Gosto de filmes ingleses, baseados em obra inglesas, eles geralmente são mais simples e fiéis em relação a vestimenta e habitos do que filmes americanos.

Drive:

Disponibilizei no Drive por ser possível assitir online. O primeiro episódio é o único (creio eu) que precisa ser feito o download, porque a legenda está separada, mas os demais não. A qualidade é MP4, que foi a que eu consegui baixar na época.

Espero que gostem e apreciem o seriado!

Download Google DRIVE
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As Brumas de Avalon, Livro 1 e 2 - Marion Zimmer Bradley


Mais uma resenha dupla, acho que gosto de fazer isso. Se pudesse resenharia dos quatro livros, mas não disponho de tanto tempo para leituras quanto gostaria.

Avalon é um tema que me tem. Gosto muito. Me sinto em casa e posso imaginar viver naqueles reinos encantados cheios de magia e segredos.

(Skoob)
A Senhora da Magia - vol. 1
Ano: 2008
Páginas: 252
Editora: Imago
Avaliação: ★★★★★
Sinopse Wikipédia:
Neste romance, a lenda do rei Artur é contada pela primeira vez através das vidas, das visões e da percepção das mulheres que nela tiveram um papel central. Pela primeira vez, o mundo arturiano de Avalon e Camelot, com todas as suas paixões e aventuras - o mundo que, através dos séculos, cada geração recriou em incontáveis obras de ficção, poesia, drama - é revelado, como se poderia esperas, pelas suas heroínas - pela rainha Guinevere, mulher de Artur; por Igraine, mãe de Artur; por Viviane, a impressionante Senhora do Lago, Grande Sacerdotisa de Avalon; e principalmente pela irmã de Artur, Morgana, também conhecida como Morgana das Fadas, como a Fada Morgana - como feiticeira, como bruxa - e que nesta épica versão da lenda desempenha um papel crucial, tanto na coroação como na destruição de Artur. Trata-se, acima de tudo, da história de um profundo conflito entre o cristianismo e a velha religião de Avalon.
Resenha:

Li as brumas livro 1 no ano passado e fiquei pensando sobre a leitura. Achei a escrita muito densa, mais do que os outros livros da Marion. Se no A senhora de Avalon falam, no final do livro, sobre a infância e adolescência da Viviane, no livro 1 das Brumas aborda a vida da jovem Igraine e sua filha, Morgana. O marido mais velho que muitas vezes não respeitava seu querer e seu corpo, ou que buscava satisfação em outras mulheres quando a esposa pedia que não se deitasse com ela para que pudesse amamentar plenamente Morgana.
Morgana, uma criança pequena, morena é muito séria, absorvia tudo à sua volta.

Ela mesma diz que na sua infância já tinha a visão e não sabia, e como os padres queriam domar ela é sua tia Morgause. Morgause era atrevida e viva, até se insinuara para Gorlois, marido de sua irmã. Até que se casou com Lot.

O livro trata também do encontro de Igraine e de Uther e sua relutância a acatar as ordens da irmã de casar-se com o novo rei. Ou quando ela deixa Morgana de lado por causa do amor da sua vida e o filho desse amor, Arthur.

Vemos uma jovem Morgana que cuida do irmão pequeno como um filho que seria muito cedo para se ter e quando Viviane pede que deixe a menina ir para Avalon e Igraine aceita como salvação, ou a filha iria para um convento ou para Avalon.

É muito rico a descrição do treinamento de sacerdotisa da menina Morgana, sua revolta, seus amores, sua paixão por Lancelot, filho de sua tia Viviane e primo. De como ela foi a deusa para a iniciação do irmão Arthur e que só foi saber na manhã do casamento sagrado, após o ritual em que eles fizeram amor como o deus e a deusa. Morgana engravida e fica em dúvida se vai ou não tirar.


(Skoob)
A Grande Rainha - vol. 2
Ano: 2008
Páginas: 232
Editora: Imago
Avaliação: ★★★★Sinopse Wikipédia: No segundo volume, que começa pouco depois da coroação de Arthur como Grande Rei da Bretanha, há um amadurecimento das personagens, já enfrentando as conseqüências de suas escolhas.
A personagem que recebe maior destaque nesse volume é Guinevere (Gwenhwyfar), a princesa escolhida para se casar com Arthur e se tornar a Grande Rainha da Bretanha. Ela é uma cristã fanática, com ideias extremamente patriarcais e um profundo complexo de inferioridade por ser mulher. Guinevere se apaixona por Lancelote, o principal cavaleiro de Arthur, desde que o vê pela primeira vez. E como não consegue dar um filho a Artur, entende que isso é um castigo de Deus contra seu amor adúltero. Assim, para se redimir, Guinevere cobra de Arthur que ele se torne o mais cristão dos reis e tenta impor à Corte um estilo de vida cristão cada vez mais radical. Ao mesmo tempo, ela desenvolve um ódio crescente contra Morgana, em parte por ela não aceitar se tornar cristã e viver com a liberdade de uma mulher pagã, em parte pelo ciúme que sente de Morgana com Lancelote. E Arthur, supondo que o estéril do Casal Real talvez seja ele, permite que Guinevere se torne amante de Lancelote, para dar um herdeiro ao trono.
Resenha:

O livro 2 é mais voltado para Gwenhwyfar, ela e seu amor proibido pelo Lancelot que retribuiria. O casamento com Arthur e a tomada de consciência de que ela se tornará a grande rainha! Ela não conseguia ter filhos, engravidava e abortava e se culpava por seu amor por Lancelot, esse amor pecaminoso ser a causa disso.

Nesse livro Morgana sai um pouco de cena (o que me deixou bem triste e desanimada, porque acho Gwenhwyfar um tanto fútil e infantil, sem contar que ela é muito insegura), mas volta ao final para contar que estava perdida no reino das fadas, ela desbrava uma relação com Kevin, o bardo que irá substituir Taliesin, o Merlin. Vejo todas as mulheres em foco muito amarguradas com suas relações de amor. Viviane e Morgana, Morgana, Gwenhwyfar e Lancelot, Morgana e Arthur (que nutre um amor além do de irmão desde o Grande Casamento Sagrado em que foram Deus e Deusa um para o outro e para a Bretanha), Kevin e Morgana (eu realmente queria que esse casal fosse mais trabalhado na trama, acho eles muito lindos e silenciosos um com o outro, gosto disso) etc
É um livro rico historicamente e com as pinceladas de magia e crenças, mostrando sempre a fortaleza que são as mulheres para si e para os outros. 

Foi por esse motivo que o escolhi para ser o livro do mês de março do desafio literário, por se tratar de uma leitura que abrangeria diversas mulheres fortes e seus aspectos luminosos e também sombrios. 


Espero que tenham gostado, super indico, é uma ótima leitura, envolvente e cheia de surpresas!

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Resenha: Apaixonante Caos - Yuri Resende


"Muryel Oliveira?" 
Sim, esse é um livro que eu tive uma breve participação! 
"Mas, como assim Muryel?" 
Bem, explico! 
Yuri é meu amigo há uns 6 anos, no mínimo. Nunca nos vimos pessoalmente, mas o carinho ultrapassa a distância! Eu vi esse menino se transformar em homem e viver seu primeiro grande amor, ter seus momentos de dúvida, atender liações chorosas na madrugada em que passávamos horas e horas falando dos mais variados assuntos para dispersar as névoas do coração sentimental e ferido. 

Quando soube que ele estaria publicando um livro e fui convidada para fazer um posfácio/prefacio fiquei totalmente sem reação, "Eu? Uma simples mortal?" então escrevi um bem bonitinho, mas a editora não autorizou, mas o meu querido amigo deu um jeitinho que incluir minhas palavras no finalzinho do livro e meu coração se derreteu todo! 

Tenho que admitir que estou há meses para resenhar ele, acho que fui uma das poucos pessoas que leu em primeira mão as crônicas, algumas já conhecidas, e outras nem tanto. Então, enfim consegui resenhar e acho que não irei apanhar!! (Né Yuri?)

Informações:

(Skoob)
Ano: 2016
Páginas: 86
Editora: Multifoco
Avaliação: ★★★★
Sinopse Skoob: Da desordem do fim até o caos de um novo recomeço: esse é o caminho traçado pelos textos do autor deste livro. O conjunto de crônicas reunidas em "Apaixonante Caos" trata sobre sentimentos que se originam a partir de momentos eternizados nas nossas vidas como a melancolia e o amor. As reflexões provocadas por Yuri Resende buscam mostrar que as soluções para uma fase marcante – seja ela positiva, negativa ou de confuso diagnóstico – são diversas e essencialmente inesperadas.
Resenha:
Carta anônima sem destinatário
Querida, caminhando em silêncio pelas vielas desta madrugada após encontrar uma fotografia nossa perdida em meio aos livros, comecei a me indagar se lhe devo um pedido de desculpas. [...]Não, querida, não há adversidade neste teu esquecimento da minha pessoa. Sei que inconscientemente você levará para os teus próximos felizes anos tudo que aprendemos juntos. [...] No ápice do meu egocentrismo e do orgulho que por muitas vezes corrói a minha já debilitada alma, vociferarei contra estes anos que agora se despedem de nós com ar melancólico. [...]A solidão pela qual sempre prezei me faz uma encantadora companhia na maior parte do tempo. Admito que temos nossos desentendimentos por às vezes ela desejar se alimentar da minha alma por inteira em um único segundo de desespero, todavia estou conseguindo domar a fera. [...]Por fim, minha querida, desejo que a vida possa lhe surpreender sempre com as melhores regalias. Sob minha expressão fechada e indiferente, guardo com carinho e nostalgia todas as lembranças que nos dizem respeito. Se me encontrares no futuro, não precisa me fitar com estes olhos que um dia já se encheram de brilho ao ver apenas a minha sombra. Siga tranquilamente o teu maravilhoso caminho pois, ao contrário de um relacionamento, sei cuidar muito bem da minha tristeza, da minha loucura e das minhas idiossincrasias.
Cordialmente,Uma Coisa.
As palavras repletas de sentimentos engasgados de um amor como outro qualquer, mas que naquele momento foi o mais especial de todos. Temo dizer que todos os amores nos são especiais, pois, trazem para fora o melhor e o pior de nós, nossa essência, desvenda e desnuda nossa alma. 

Penso em na dona da inspiração de Yuri como uma menina normal, com uma vida normal, que sequer sabe das incontáveis noites em claro que proporcionou a um coração apaixonado, talvez dois ou três. E, também em como nosso tolo coração apaixonado nos prega peças lindas incontáveis vezes durante o processo de amadurecimento, e depois dele também. 

Fico imaginando os momentos da mais pura solidão em que meu caro amigo escreveu esses versos tão encharcados de moça ou de suas tentativas de esquecê-la. As vezes, e elas foram muitas, senti raiva dela. Mas, hoje, um pouco mais madura, vejo que são coisas deles, coisas de corações apaixonados! Me pego especulando quantos amigos raivosos não deixei para trás com amores que já não me cabiam mais ou quantas sogras desoladas por gostarem de mim e me querer na vida dos filhos delas e, ainda quantas pessoas me odeiam por ter feito o amor delas sofrer?

São coisas da vida que jamais teremos resposta!

Cada crônica tem um pouco de cada pessoa e seus amores. Pessoas comuns, como eu ou você. Pessoas que sentem e amam. Pessoas, vivas, na sua completude. Uma ótima leitura para outono!

Outros títulos que eu gostei bastante no livro: 

  • C'est fini, mon chéri!
  • Cecily
  • Felicidade Taciturna
  • Se a nostalgia tivesse uma forma
  • Multidão
O autor:
(Instagram)
Estuda História em UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro
Frequentou Colégio Pedro II
Mora em Rio de Janeiro
Um cara muito engraçado e poético. Está sempre pondo as pessoas pra cima com seu jeitinho "romântico das antigas".

Como ser uma boa amiga:


Enfim, é isso, espero que tenham gostado, indico muito esse livro, é uma leitura agradável e nos faz pensar em diversos momentos da nossa vida se "o que eu fiz foi certo?".
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As coisas boas que o outono te traz


Outono. Minha estação favorita! Talvez porque eu nasci no mês que ocorre a transição, ou não, eu é aquele mês que se pode usar vestidos de banca comprida e botas, sem meias e sem passar frio. Aquele mês que tu acorda e coloca um casaquinho por cima do pijama e toma um café quente olhando e sentindo o vento frio pela janela ou porta. 

Essa estação me deixa pensativa demais, talvez até reclusa. Esse mês também. Tudo o que eu quero é ficar em silêncio, na cama, tomando um café quente ou um chá e assistir meus filmes e livros. 

Por causa dessa minha paixão pelo outono e também por causa das interações vou deixar uma playlist e umas dicas de filmes e livros para lerem nessa estação tão charmosa!

Livros

(Skoob)
Inverno na Manhã - Uma Jovem no Gueto de Varsóvia
Janina Bauman
Ano: 2005
Páginas: 231
Editora: Jorge Zahar
Avaliação: ★★★★★
Sinopse Skoob: Em um relato pessoal e tocante, Janina Bauman nos revela as experiências e emoções de uma adolescente de família próspera que sofreu os horrores de ser judia numa terra controlada pelos nazistas.
Quando Hitler invadiu a Polônia em 1939, Janina tinha 14 anos. Nos seis anos seguintes ela enfrentou a luta pela vida e os dilemas da adolescência, o medo e a perda da inocência, a fome e as primeiras emoções do amor.
A partir de seus diários da época — escondidos durante a guerra e reencontrados intactos após o conflito —, a autora retorna a esses duros anos, apresentando-nos sua família, as amizades surgidas do infortúnio, a fuga do gueto de Varsóvia, a vida em esconderijos.
Uma história extraordinária de sobrevivência, coragem e paixão pela vida.
“Durante a guerra aprendi uma verdade que geralmente preferimos não enunciar: que o mais brutal da crueldade é que ela desumaniza suas vítimas antes de destruí-las. E que a luta mais árdua de todas é permanecer humano em condições desumanas.” 
Achei esse livro excelente! Não consegui ler outros livros sobre o holocausto, como Diário de Anne Frank, mas esse eu simplesmente amei. Ele é vivo, ela é viva! Todos os riscos que eles correram e mesmo assim continuaram sem desistir e, no final, conseguiram escapar. A narrativa, a vivacidade, as palavras, tudo, tudo estava encharcado de sentimentos!


(Skoob)
Duas Vidas, Dois Destinos
Katherine Paterson

Ano: 2006
Páginas: 230
Editora: Salamandra
Avaliação: ★★★★★
Sinopse Skoob: Narrada por Louise, a história conta como, por ser a mais forte, ela acaba ocupando o lugar reservado ao filho desprezado. E como, em sua visão, a irmã fica com a melhor parte de tudo. Mas a solidão a leva a conhecer os segredos da ilha e da vida no mar e a chegada inesperada da guerra (anos 40) abre caminho para que ela lute por seu lugar no mundo.
Esse livro eu li exatamente após Inverno na Manhã, e ele foi lindo, a primeira vez que eu li livros que não falavam sobre amor adolescente ou coisas do tipo. Louise era quase que desprezada por ser mais forte que a irmã e suas coisas eram postas de lado. Essa mesma irmã que foi pra cidade estudar e quando voltou roubou o "amor da sua vida". Ainda acho que eles se mereciam, o cara babaca e a irmã dela. Mas, ok. Achei o livro repleto de sentimentos guardados, de indignação e tudo o mais. Acho uma boa lição sobre independência e também de feminismo. Um dia quero que minha irmã leia. É uma boa leitura para pais perceberem que não é dando muita atenção pra o filho fraco que vai fazer ele crescer. 


Playlist

Na verdade eu fui fazendo essa playlist enquanto escrevia, então ela tem muito do motivacional desse post. Youtube e suas sujestões lindonas de música amorzinho!

Filmes e Séries

Reign


Tem na Netflix e tá pra download!
A série conta a história de Mary Stuart, Rainha da Escócia e seu caminho até o poder, iniciando com sua chegada à França ainda na adolescência e seu noivado com o Príncipe Francis. Acompanhada de suas quatro melhores amigas, Mary precisa sobreviver às intrigas, inimigos e forças obscuras que tomam conta da corte francesa.
Eu diria que é, como uma colega me falou, a "Malhação real da família Tudor". Eu achei meio bobo eles não seguirem regras de figurino, mas, ok. Me apaixonei pela série e estou assistindo sempre que consigo, mais ou menos uns 4 episódios por semana, uns dois no final de semana e uns dois também no meio da semana pra descontrair um pouco. A série é repleta de música folk como The Luminners


Da Magia a Sedução


Só é meu filme favorito de toda a vida!
Practical Magic (Da Magia à Sedução) é um filme estadunidense de comédia romântica de 1998 baseado no romance de 1995 do mesmo nome de Alice Hoffman. O filme foi dirigido por Griffin Dunne e estrelado por Sandra Bullock, Nicole Kidman, Stockard Channing, Dianne Wiest, Aidan Quinn e Goran Visnjic. A trilha sonora foi composta por Alan Silvestri.
Sally e Gillian Owens, nascidas em uma família de mágicos, têm evitado a bruxaria, mas, quando o namorado de Gillian morre inesperadamente, as irmãs decidem fazer uma reciclagem em magia. O policial Gary Hallet está começando a suspeitar enquanto as garotas lutam para ressuscitar Angelov e acabam injetando em seu cadáver um espírito do mal que ameaça toda a linhagem familiar.

No dia do meu aniversário eu tomei Margaritas no Margot (Porto Alegre) em comemoração ao meu aniversário. Eu penso sériamente em desenvolver esse hábito de ir todos os anos no dia 10/03 em um bar e tomar duas Margaritas bem feliz da vida e depois ver o que fazer! Margaritas são meu sonho de infância por causa desse filme! Sempre quis ser bruxa por esse e outros filmes. É uma vida solitária, mas ao mesmo tempo alegre. 

Enfim, missão cumprida! Espero que tenham gostado!
Esse post faz parte do projeto de blogagem coletiva de março, no Interative-se!

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A Fragilidade da Existência Humana


A humanidade não percebe como são, todos, muito frágeis diante as catástrofes climáticas ou perante o tempo. O tempo, esse é a prova de que nenhum corpo resiste mais que, o que? 100 anos? 120? Há quem diga que os humanos podiam viver até 300 anos, isso tudo antes de Prometeu roubar o fogo do Olimpo e entregar a humanidade.

Teria ele nos dado o conhecimento e também o poder de sermos tão vulneráveis fisicamente justamente para que esse conhecimento não nos fizesse semi deuses?

Eu conheci, certa vez, na minha juventude um semi deus. Nada, nem ninguém era páreo para ele. Nada o vencia, nada o amedrontava. Ele vivia a vida na sua plenitude e cheia de coragem. Nos conhecemos em um evento de rua em 1970. Ele vestia jeans azul recém tingido e uma regata branca, que mais parecia transparente sobre seus músculos bem definidos e seu 1,95 de altura. A pele que pedia um toque para que tivéssemos certeza que era de carne e sangue e não esculpida em mármore. Os olhos que refletiam galáxias inteiras e um sorriso que nem mesmo o cupido seria capaz de imitar.

Perfeição, alguns diziam. Eu diria que ele era meu sonho e também o meu pesadelo favorito para o resto da vida.

Eu, com meus insignificantes 1,60 me encolhia em meio aquele tima de homens gigantes, até que o "semi deus", como minhas colegas o chamavam, esbarrou em mim e fez eu derramar todo o suco de uva sobre meu vestido azul claro. Karl era o nome dele, como um homem importante e imponente que parecia ser, esperei pelo xingamento, pois também o molhei de suco. Mas, o que eu esperava não veio. Ele se joelhou na altura do meu joelho pedindo desculpas enquanto procurava algo em uma pequena bolsa de treino. Ele tirou uma toalha e me ofereceu murmurando "desculpa, eu sou um desastre, todo esse tamanho só serve pra esbarrar nas pessoas" e logo que me sequei ele puxou uma camiseta enorme, que me cabia como um vestido. Tudo isso se passou em menos de 10 minutos, mas para mim foram os piores minutos de palavras trocadas sem olhares cruzados de toda a minha vida.

Minhas colegas me escoltaram até um banheiro no posto de conveniências para que eu vestisse aquela camiseta enormemente grande. Ele ficou esperando do lado de fora enquanto eu me lavava e tentava não cheirar a uva. Vesti a camiseta e embolei nas mãos o vestido. Puxei o cabelo para o lado e fiz uma trança meio desajeitada enquanto minhas colegas conversavam sem parar "da minha sorte em receber uma camiseta do Karl e blá blá semi deus".

Sai e só então ele me olhou nos olhos. Se apresentou e, mais uma vez, me pediu desculpas. Eu disse que estava tudo bem e que aquele vestido era velho (quando na verdade eu havia comprado para meu aniversário, no mês anterior). Então eu recebi o primeiro choque de encantamento vindo dele. O sorriso. Ele sorriu para mim e eu não sei como me mantive em pé após aquilo, mas parecia que meus pés estavam pisando em lama ou em areia movediça.

Ficamos andando lado a lado durante o evento e mais ou menos as 22h ele se ofereceu para me levar em casa. Caminhamos silenciosamente durante as quatro quadras percorridas até que eu parei, o olhei e perguntei:

- Por que você não me olhou enquanto me oferecia a toalha ou, depois, a blusa?

Ele ficou vermelho, pude ver mesmo estando completamente escuro na rua.

- Seu, seu vestido estava transparente e eu não queria ser indelicado.

Só então me dei conta de que meu sutiã bege e minha calcinha branca haviam ficado ensopadas com o suco, jurei odiar aquele tecido fino e leve pelo resto da minha vida. Devo ter ficado vermelha porque logo em seguida ele me agarrou pelos ombros e, olhando fixamente nos meus olhos, me disse:

- Em momento algum eu lhe desrespeitaria, mesmo que eu quisesse desesperadamente lhe beijar agora, eu não o faria se isso lhe causasse constrangimento ou repulsa. Ao contrário do que pode parecer - ele disse me calando - eu não compro a companhia de ninguém, principalmente de mulheres, ficam comigo se quiserem e gostarem de mim. Não tenho nada mais que isso que você pode ver. Eu sou somente o Karl, com seus defeitos e limitações.

Que limitações? Eu pensei, aquele homem era perfeito! Mas, logo depois eu descobri que ele tinha uma doença que poderia o matar a qualquer momento. Por isso, mesmo sendo contra os méditos, ele praticava todos os tipos de esportes, estudava filosofia e estava prestes a se formar em Direito. E eu lá, nas minhas aulas de francês e literatura. O que eu seria além de uma professora de primário para crianças que sequer entenderiam o que era o francês.

Naquela noite nos beijamos. Depois do quinto ou sexto encontro proposital nós fizemos amor na grama, embaixo de uma macieira, como nos tempos antigos em que a humanidade era livre. Ele me despiu cuidadosamente e beijou cada parte do meu corpo com devoção e paixão. Meu corpo queimava mais a cada beijo, toque ou olhar. Era quente sem ser vulgar e romântico sem ser piegas.

Só que, Karl era frágil. Quando me pediu em namoro eu pude ver a insegurança nos seus olhos, no seu toque. Ele sabia de algo que eu nem imaginava. Quando completamos um ano juntos e a minha felicidade não tinha fim ou tamanho, descobrimos que eu estava grávida de dois meses. Ele estava se formando naquele verão e já tinha planos de abrir um escritório. Achamos um apartamento pequeno e acolhedor, os amigos nos ajudaram com mobilha de segunda mão e nossos pais com a mobilha do nosso quarto e do bebê. Minha mãe já fazia sapatinhos e mantas sem nem mesmo saber se seria menino ou menina.

Estava com cinco meses quando Karl teve o primeiro desmaio seguido de convulsão. Estávamos na cozinha e eu entrei em pânico, não sabia o que fazer primeiro. Por sorte os vizinhos ajudaram. Fomos para o hospital, depois de uma bateria de exames os médicos constataram que se ele tivesse outro desses poderia ser fatal ou poderia deixá-lo numa cadeira de rodas. Quando John estava com 1 ano e 3 meses, numa tarde comum no supermercado, Karl me entregou-o e começou a se escorar numa prateleira, fazendo todos os produtos caírem. Ele teve o segundo desmaio e a segunda convulsão.

Karl não voltou a falar, não tinha forças nas pernas também. Eu tinha duas crianças em casa. Alguns meses depois descobri estar grávida novamente. Todos me chamaram de louca por querer seguir adiante com a gravidez. O próprio Karl ficou furioso. Eu entendia o que ele queria só com o olhar e alguns sons. Karl sempre fora calado e com olhos expressivos. Nada mudara de fato.

Karl ficou estagnado nesse estado por mais dois anos, tendo poucas melhoras. Ele voltou a andar e aprendeu a língua de sinais, eu também. John andava de um lado para o outro fazendo gestos e a professora da escolinha nos contava que ele pouco falava de fato, mas sim "olhava fixamente, franzia as pequenas sobrancelhas e gesticulava com as mãos de forma ligeira e firme", era exatamente o que o pai fazia.

Meu marido, Karl, se suicidou em 15 de agosto de 1976. Foi o tempo de eu descer e pedir que o zelador me ajudasse com a torneira da pia que estava jorrando água para todos os lados. Ele ingeriu muitos calmantes, logo depois foi para o quarto e disse para John (que já entendia a língua de sinais) que iria dormir. Só me dei conta depois de duas horas, com um bilhete debaixo do travesseio onde ele estava deitado, frio e acinzentado.
Eu te amei intensamente e fui muito feliz. Você não precisa de mais uma criança para se preocupar. Não sou mais o que diziam de mim, sou um mero mortal num corpo que está apodrecendo. Vou olhar por você, pelo John e pela Lili.
Você sim foi uma deusa, como Parvati, cujas lágrimas deram vida ao filho de pano, com suas muitas mãos e com suas milhares de faces. Viva, não chore, siga em frente. Não há arrependimentos, nós fomos o que tivemos que ser, nada mais. Vou dormir e lhe aguardo no Olimpo, minha eterna amada.
Karl
O que posso dizer sobre meu falecido marido? Ele foi um verdadeiro herói para todos a sua volta. Viveu intensamente os bons anos de sua vida sempre ajudando que precisasse. Jamais se negava. Estava sempre ali com seus braços e pernas fortes e sua mente aguçada, e jamais esquecendo do seu coração puro e corajoso. Eu sempre soube que ele não era o tipo de cara que seria fácil lidar. Lembro dele todos os dias, com carinho e saudade enquanto vejo meus filhos cada vez mais parecidos com ele. Lili tem seus cabelos e as bochechas que a entregam. John tem os olhos centrados e a altura. Será um homem grande, e eu, cada vez menor, mais velha e mortal, enquanto Karl será para sempre imortal na nossa memória.


Esse conto faz parte do desafio Imagem + Palavra do Interative-se
A imagem está no início e a palavra é Fragilidade

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Naquela vida em que eu só sabia ser feliz


Naquela vida em que eu só sabia ser feliz, passava os dias com a minha flauta para lá e para cá. Papai me dizia: "Filha, nem tudo são flores, tome cuidado para não deixar a tristeza de lado por muito tempo, ela pode vir atrás de você!" Só que eu não entendia nada daquilo. Queria mesmo era ser feliz com todas as minhas forças e nada, nem ninguém iria me impedir. Eu dançava, corria, cantava, pintava e todas as coisas que me eram permitidas fazer. Todas elas eu fazia. Tinha sede de viver

Casei. Quando tinha meus 18 anos, quase muito velha pra casar, me apaixonei, ele era lindo e radiante, talvez com tanta vontade de viver quanto eu. Pele aveludada, olhos da cor do grão de café, cabelos negros como o pelo de um leopardo. Em outra vida devia ter sido um, seu olhar me paralizou como um desses animais paraliza sua preza que não sabe se fica e aceirta a morte ou se arrisca tudo e corre. Essa foi a minha sorte, eu corri. Corri para seus braços, de onde jamais gostaria de sair. Casamos por amor. Meu pai permitiu. Não era algo comum, normalmente os pais escolhiam com quem os filhos iriam se casar e o amor viria aos poucos. 

Sei que todos estavam temerosos com o casamento. Do mesmo modo que eu costumava correr para as coisas, costumava também correr para longe delas. Nunca fui apegada a nada além da minha liberdade e da felicidade de viver a vida intensamente nos seus mínimos detalhes. Esse foi meu grande erro. 

Engravidei, mas não queria estar grávida. Tirei. Ninguém nunca soube, nem do seu inicio, nem do seu fim. Então depois de alguns meses novamente. Voltei a tirar. Não sei quantas vezes fiz isso. Era jovem, tinha tempo para dar um filho ao meu marido. Nós éramos felizes como estávamos. Quando completei 21 anos todos estavam esperando que a qualquer momento eu anunciasse a gravidez. Foi quando ela veio. Minha sogra contara quantos dias haviam se passado e chegou ao pé do meu ouvido "fazem 40 dias que seu ciclo não desce". Eu sabia, estava esperando e ponderando se aquele deveria ser o momento. Fingi estar feliz, ela anunciou para todos que eu carregava a quarta geração da família no ventre. Meu marido não se aguentava de tanta felicidade. 

Eu fui mimada, ganhava tudo nas mãos, não me deixavam fazer nada que envolvesse correr ou pegar peso. Eu era infeliz assim, privada das coisas que mais amava. Naquele dia de verão, quando o outono se aproximava eu senti uma dor muito forte no ventre. Senti um liquido quente descendo por entre minhas pernas. Eu estava perdendo o bebê. Chamaram o médico, a curandeira, todas as mulheres ficaram a minha volta. Estava tudo bem comigo, mas o bebê havia ido embora. Pediram para eu não engravidar novamente tão cedo, mas eu não ouvi. No outro mês estava tão feliz que me deitei com meu marido de forma mais íntima e intensa, engravidei novamente. E, novamente vim a perder. Foram 20 meses tentando, um aborto atrás do outro. Eu não segurava os bebês. 

Certa vez perguntei para uma velha senhora se isso poderia ser causado pelos constantes abortos anteriores, ela disse que provavelmente não. Que era mais garantido que eu pensasse que a criança sabia que eu não a queria. E eu realmente não a queria. Portanto, quando ela começava a ficar madura, se soltava do pé, caindo por entre meus pés em forma de sangue e líquidos. 

Aos 23 anos meu marido casou-se novamente e eu fui devolvida ao meu velho pai. Ele foi obrigado pela família a fazer isso. Eu já não era nada feliz. Não cantava, não dançava, fazia somente o que me era pedido em silencio e resignação. Eu desgastei a porção de alegria e irresponsabilidade da minha vida. Hoje, consigo ver que a tristeza realmente veio me buscar, de tanto que eu fugia de seus olhos atentos e inteligentes. 

"Não tenham medo crianças", eu sempre digo para meus sobrinhos. "A tristeza sempre chega, sempre te encontra, então, apenas viva a dor, sinta-a no momento que ela tiver que ser sentida, nem mais, nem menos. Aprendam a não temer seus paços pesados e desengonçados. Andem ao seu lado e lhes falem sobre suas dúvidas e desamores, ela sempre nos entende"

Isso não é uma história sobre aborto, filhos, felicidade por ser mãe ou uma mulher completa. Isso é apenas um relato de quem não se manteve atenta as suas próprias oportunidades de ser humana. Uma história de alguém que fugiu todos os anos da tristeza e da dor. Alguém que foi contra a lei natural da vida que diz que a dor deve ser sentida


Esse post faz parte do desafio Imagem + Palavra do Café com Blog
Imagem está no inicio do post
Palavra: Delícia
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Ele seria uma bela nota de rodapé


Era um dia quente, mas havia uma brisa forte e gelada. Iria chover a qualquer momento. Eu assistia-o se locomover até onde eu estava. Seu cabelo levemente bagunçado pela pressa em chegar. Haviam pequenas flores que caíam da grande árvore no canteiro central do qual ele passara. 

Eu estava do outro lado, com as pernas em formato de lótus, mexendo num livro sem conseguir me concentrar. Estava nervoda. Esse tipo de coisa não costumava acontecer comigo, mas quando se tratava dele, ah, então eu era outra. Passava mal, perdia as palavras, ficava esperando uma mensagem. Ele era aquele tipo de pessoa da qual as pessoas admiram, mas que temem se aproximar. Sua timidez fazia as pessoas terem cautela ou até mesmo não insistir muito numa conversa. Mal sabiam elas que por dentro ele era outro. Extrovertido, brincalhão, diria que até um sedutor experiênte - ou eu me sentia uma boba quando ele estava perto -, a questão é que ele não percebia nada disso. 

Não se achava merecedor, ou o excluído, aquele que não se adapta ou que não sabe como flertar com uma garota. Ele tinha era dificuldade de lidar com pessoas rasas. Talvez eu fosse uma delas, já que ele me olhava com um misto de receio e de desejo, o que me deixava ainda mais nervosa. Ele não demonstrava estar verdadeiramente interessado em mim, o que me deixava nessa constanhte dúvida. Eu me entrego, digo o que sinto ou fico esperanhdo ele achar que gosta de mim, e então tomar iniciativa? 

Mas, não fou naquele dia florido, agradável e apaixonante que eu decidi contar. Eu, boba que sou, decidi me declarar contando que gostava de um menino, enviei a mensagem de texto e esperei retorno, não veio. Falei então, abrindo meu coração, que não sabia lidar com isso, com a ideia de gostar tanto dele e que parecia não ser recíproco. 

Então a resposta veio. Ele respondeu com todo o carinho em um texto gigantesco, dizendo que se eu gostava tanto dele era pra dizer, que não me faria bem guardar e que aposto que o menino estaria sim afim de mim, afinal, "você é encantadora". Fiquei mais de 30min encarando aquela mensagem, foi quando resolvi dizer. "Então, eu conversei com um amigo e ele me aconselhou a te dizer que, bem, que eu gosto muito de você. E, eu queria saber o que você sente quanto a isso?"

Uma torturante hora se passou, então meu celular brilhou. Era uma mensagem dele. "Eu sinto o mesmo. Mas, acho que agora não posso mais te dar o que você espera que eu lhe dê."

Eu, chocada, não entendi, resolvi ligar. Liguei uma, duas, cinco, dez vezes. Foi quando uma voz feminina atendeu. "Alô?". eu exitei "Oi, é, eu queria falar com o Vini, ele está?" houve silêncio por um longo minuto "Alô?" perguntei, "Olá, qual o seu nome mesmo querida?", estranhei, sua voz parecia engasgada de choro, "É Aline" falei por fim. 

Estava preocupada nesse momento, não entendia a tensão no ar nem o porquê de ele não atender o celular, foi quando ela me tirou dos meus devaneios infantis com a trágica notícia, "O Vini, minha querida, ele, bem, ele foi... foi atropelado enquanto atravessava a rua. O celular ficou em pedaços, mas resgatamos o chip, foi quando você ligou. Querida, sente-se ok? Vou terminar de contar." ela disse quando abri a boca pra falar, "O Vini não está mais aqui, ele se foi. Eu sei que vocês estavam num lance há tempos, ele sempre me falava que estava falando com você ou indo ver 'sua amiga Aline', sinto muito pela nossa perda, ele era um bom filho. Ele nem conseguiu se inscrever na faculdade de medicina, havia passado em três vestibulares, mas acho que estava relutante em escolher porque todas eram em outro estado. Eu sou mãe dele e perdi minha vida. Se quiser me ver, ou pegar alguma coisa sua que esteja com ele, meu endereço é..." foi quando eu parei de ouvir.

Não podia estar acontecendo, ele havia me enviado a mensagem. Parei então e tomei forças para perguntar: "Qual foi o horário do atropelamento?", ela parou e depois de uns segundos respondeu "16h33min" dei tchau e desliguei. Olhei o celular. Sua ultima mensagem fora enviada às 17h, ele foi atropelado lendo a minha mensagem, talvez enviando aquela resposta. Ou, talvez, o amor da minha vida havia sido um anjo.  

Hoje, depois de 4 anos da morte do Vini posso dizer que sinto menos sua falta. Sou paramédica. Ajudo as pessoas, salvo vidas, perco algumas, diria que nesse mar de histórias se cruzando em um gigantesco livro, o Vini, meu querido Vini, seria uma bela nota de rodapé. 
"Vinícius, 25 anos, olhos azuis, meio verdes, meio cinzas, cabelo bagunçado e um sorriso tímido. Eu o amava, e sei, que onde quer que ele esteja, ele ainda me ama."

255. "Eu não sabia o que estava acontecendo naquele momento".

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Era uma vez, uma menina... © Copyright 2011 - 2016. - Versão 9. Little nymph. Ilustração Martina Naldi. - Original de Muryel de Oliveira. Tecnologia do Blogger.